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Câncer de tireoide

Entenda o câncer de tireoide

Por : em : 26 de maio de 2020 comentários : (0)

Maio é o mês de conscientização sobre as doenças da tireoide. Neste artigo, vamos falar a respeito do câncer de tireoide: causas, sintomas, riscos e possíveis tratamentos.

 

O que é a tireoide

Para entender o câncer da tireoide, primeiramente precisamos saber o que é a tireoide. É uma glândula localizada na parte da frente do pescoço, logo abaixo da laringe (cordas vocais). Ela produz dois hormônios, TRIIODOTIRONINA (T3) e TIROXINA (T4). Esses hormônios são muito importantes em todas as fases da vida, desde a formação dos órgãos fetais (principalmente o cérebro), como no crescimento, desenvolvimento, fertilidade e reprodução. Além disso, os hormônios da tireoide exercem ainda importante atuação nos batimentos cardíacos, sono, raciocínio, memória, temperatura do corpo, funcionamento intestinal e no metabolismo, que é o processo de como o corpo usa e armazena energia.

 

Quando surge o câncer da tireoide

Em síntese, o câncer de tireoide ocorre quando tumores, também conhecidos como nódulos, crescem na tireoide. Este é o tipo de neoplasia mais comum da região da cabeça e pescoço sendo o quinto tumor mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste (sem considerar o câncer de pele não-melanoma). Conforme dados do INCA, a estimativa de novos casos para 2020 é de mais de 13 mil casos, sendo cerca de 12 mil em pessoas do sexo feminino.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a maioria dos nódulos (cerca de 90%) são benignos (não-cancerosos), mas aqueles que são cancerosos podem espalhar por todo o corpo e colocar a vida em risco.

 

Causas e fatores de risco do câncer de tireoide

A causa exata do câncer de tireoide não é conhecida. Contudo, alguns fatores de risco são apontados:

  • Tratamentos com radiação para a cabeça, pescoço ou tórax, especialmente na infância ou adolescência;
  • Histórico familiar de câncer de tireoide;
  • Nódulo na tireoide grande ou em rápido crescimento;
  • Associação com dietas pobres em iodo
  • Idade superior a 40 anos.

Ter um fator de risco não significa que você terá câncer de tireoide. Por outro lado, não quer dizer que a doença apareça apenas em pessoas com tais fatores. Ainda assim, caso você um nódulo de tireoide com qualquer um desses fatores de risco, é importante realizar uma avaliação.

 

Sinais e sintomas

A maioria das pessoas com câncer de tireoide não têm sintomas. Isso porque a presença de um nódulo na tireoide, normalmente não é indicação de câncer. Entretanto, caso o indivíduo apresente algum dos fatores de risco, deverá ser avaliado. Em alguns casos mais avançados, podem aparecer sintomas como rouquidão, sintomas compressivos e até mesmo sensação de falta de ar e dificuldade em engolir alimentos.

 

Tipos de câncer de tireoide

Os carcinomas diferenciados são os tipos mais frequentes de câncer na tireoide. Dentre eles estão o papilífero (entre 50% e 80% dos casos), o folicular (de 15% a 20% dos casos) e o de células de Hürthle. Existem ainda os carcinomas pouco diferenciados (cerca de 10% dos casos) e os indiferenciados (também cerca de 10%). Saiba mais sobre 4 os tipos mais comuns:

Papilífero

É o tipo mais comum e está presente em cerca de 8 de 10 pessoas com câncer de tireoide. Geralmente cresce muito lentamente e muitas vezes se espalha para os gânglios linfáticos no pescoço. Raramente pode se espalhar para os pulmões ou ossos. Atinge as mulheres duas vezes mais frequentemente que os homens. A idade do paciente típico é de 30 a 50 anos. Se detectado enquanto o tumor é pequeno (menos de 1 cm) e confinado à glândula tireoide, a taxa de cura é muito alta, perto de 100% em pacientes jovens.

Folicular

é o segundo tipo mais comum . Raramente se espalha para os linfonodos, mas pode às vezes se espalhar para os pulmões ou ossos. Afeta as mulheres duas vezes frequentemente que os homens. A idade do paciente típico é de 40 a 60 anos. Se for detectado enquanto o tumor é pequeno e confinado à tireoide, a taxa de cura total é alta, quase 95% em pacientes jovens. A taxa de cura diminui ligeiramente em pessoas mais velhas.

Medular

É muito menos comum (cerca de 5% dos casos). Quando não se espalha para além da tireoide, os pacientes têm 90% de chance de sobreviver por 10 anos; chance de 70% quando se espalha para os gânglios linfáticos no pescoço; e chance de 20% quando se espalha para locais distantes (tais como o fígado, ossos ou cérebro). Este tipo de câncer de tireoide pode ocorrer repetidamente em membros de uma mesma família e requer uma avaliação cuidadosa para determinar se outros membros da família estão em risco.

Anaplásico

É a forma menos comum e a mais agressiva. É comum retornar após o tratamento e as chances de sobreviver mais de 6 a 12 meses é muito baixa. Afeta mais homens do que mulheres e, em sua maioria, pessoas com mais de 65 anos. É muito raro em pacientes jovens.

 

Como é diagnosticado o câncer de tireoide

A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar o tumor numa fase inicial. Assim, aumentam as chances de sucesso no tratamento. O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico, complementado com a realização de ultrassonografia do pescoço na qual é encontrado um nódulo. De acordo com as características do nódulo, é feita a aspiração deste nódulo com uma agulha fina, inserida para retirar células ou fluidos do nódulo que serão analisados ao microscópio. Através desta punção aspirativa, pode-se identificar nódulos cancerosos ou “suspeitos” e, muitas vezes, é possível inclusive identificar o tipo de tumor.

 

Tratamentos para o câncer de tireoide

O tratamento varia, dependendo do tipo de câncer e se ele se espalhou. Entre as opções estão:

  • Cirurgia. Na tireoidectomia (retirada da tireoide), o cirurgião remove parte ou, mais comumente, toda a glândula tireoide, e nódulos linfáticos anormais. Após a cirurgia, é necessária a reposição do hormônio tireoideano para o resto da vida;
  • Terapia com iodo radioativo. Esse tratamento consiste em ingerir uma pequena quantidade de iodo radioativo para destruir o tecido tireoidiano não removido pela cirurgia. Do mesmo modo, o iodo radioativo também pode tratar o câncer de tireoide que se espalhou para os nódulos linfáticos e outras partes do corpo;
  • Radiação externa. Para eliminar as células cancerosas e diminuir os tumores, a radiação é dirigida para os nódulos de uma fonte externa ao corpo. Este tipo de tratamento é menos comum, mas pode ser uma opção especialmente para pacientes que têm câncer avançado e não podem fazer cirurgia;
  • Quimioterapia. É o uso de drogas para eliminar as células cancerosas. A quimioterapia pode ser benéfica para pacientes com tumor anaplásico, mas raramente é utilizada para tratar as outras formas, exceto em estudos clínicos para doença avançada.

Como é realizado o tratamento

Esses tratamentos podem ser combinados, levando-se em conta o tipo de tumor e o estágio da doença. Por exemplo, o tratamento dos carcinomas bem diferenciados (papilífero e folicular) depende dos riscos associados (extensão da cirurgia e necessidade da complementação terapêutica com iodo radioativo). Do mesmo modo, casos de tumores que se espalharam  para gânglios linfáticos cervicais (do pescoço), o tratamento do tumor primário deve ser associado à retirada dos gânglios linfáticos afetados. A complementação terapêutica com o iodo radioativo deve ser sempre utilizada em pacientes com carcinomas bem diferenciados, considerados de alto risco e submetidos à tireoidectomia total.

 

Em suma, o surgimento de um nódulo na tireoide não deve ser motivo de pânico. Exige, claro, que seja investigado o quanto antes. Desta forma, pode ser feito o diagnóstico precoce, o que aumenta as chances de recuperação.

 

Referências:
INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva). Câncer de tireoide. Fevereiro, 2020;
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Entendendo o Câncer de Tireoide. Maio, 2013.

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