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A importância da mamografia no diagnóstico do câncer de mama

Por : em : 10 de maio de 2019 comentários : (0)

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Quando se fala em câncer, um dos primeiros tumores que vêm à mente é o Câncer de Mama. A doença tem a mamografia como principal ferramenta para seu diagnóstico precoce. Por isso, vamos falar aqui sobre a importância da mamografia no diagnóstico do câncer de mama e a partir de quando é indicada a realização. Também vamos confrontar cada um dos argumentos equivocados que estão circulando na internet sobre o tema.

O que é a mamografia.

O câncer de mama se caracteriza pela proliferação anormal, de forma rápida e desordenada, das células do tecido mamário. Essa proliferação se acumula em pontos, formando nódulos. A mamografia é o exame de raios-X das mamas. O exame consiste na realização de um “raio x da mama” em duas incidências: crânio caudal (de cima para baixo) e perfil ou Médio Lateral Oblíqua (incidência lateral).

É o mais indicado para detectar precocemente a presença de nódulos nas mamas em mulheres acima dos 40 anos. O exame clínico e outros exames de imagem e laboratoriais também auxiliam a estabelecer o diagnóstico de certeza.

A mamografia permite que tumores menores sejam detectados. Um tumor pode ser benigno (não perigoso para a saúde) ou maligno (tem o potencial de ser perigoso). Os benignos não são considerados cancerígenos. Ou seja, as células tumorais crescem lentamente e não invadem os tecidos vizinhos, nem se espalham para outras partes do corpo. Já os tumores malignos são cancerosos. Caso suas células não sejam controladas, podem crescer e invadir tecidos e órgãos vizinhos. Eventualmente podem também se espalhar para outras partes do corpo. Para saber qual o tipo de tumor, para afastar qualquer erro de diagnóstico, deve ser solicitada uma biópsia para definir se a lesão é maligna ou não.

Quando deve ser feita a mamografia

A mamografia está indicada para mulheres nas seguintes situações:

Mulheres com mais de 40 anos

Em primeiro lugar, deve-se enfatizar que a idade é um dos mais importantes fatores de risco para o câncer de mama. Quatro em cada cinco casos da doença ocorrem após os 50 anos. Por isso, o público prioritário para a realização do exame pelo Sistema Único de Saúde é entre 50 e 69 anos. Contudo, a recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é para que as mulheres realizem a mamografia anual a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas ou em mulheres sem histórico familiar.

Mulheres com histórico familiar e nos grupos de risco.

Já as mulheres que fazem parte do grupo de risco moderado ou elevado devem iniciar a rotina de exames mais cedo. Entre os fatores de risco estão os fatores genéticos, histórico de alterações benignas e hábitos como consumo excessivo de álcool, tabagismo e sedentarismo. Estão também mais propensas a desenvolver a doença por causa da longa exposição aos hormônios femininos, as mulheres que não tiveram filhos ou tiveram o primeiro filho após os 35 anos, não amamentaram, fizeram uso de reposição hormonal (principalmente com estrogênio e progesterona associados), menstruaram muito cedo (antes dos 12 anos) e entraram mais tarde na menopausa (acima dos 50 anos).

Quando a mulher percebe a presença de nódulos nas mamas.

A mulher deve conhecer seu corpo. E a melhor maneira de a mulher observar suas mamas é através do autoexame. No entanto, o autoexame não é considerado mais um exame preventivo. Isto porque, com o autoexame, geralmente a mulher não consegue identificar pequenos caroços (com cerca de 1 cm). Tampouco consegue sentir aqueles que ainda estejam restritos ao ducto mamário – estrutura que carrega o leite durante a amamentação. Ao apalpar os seios a mulher só encontra tumores com mais de 2 cm. Isto significa que o câncer já pode estar em um nível avançado. Vale ressaltar que o autoexame não é contraindicado, pelo contrário. Ele apenas não substitui o exame clínico e a mamografia, que devem ser realizados mesmo que não haja sinais de nódulos. No texto Mitos e Verdades sobre o Câncer de Mama, nós mostramos como realizar o autoexame.

Desmentindo informações falsas sobre a mamografia

Nos últimos meses, circularam na internet vídeos em que um senhor – famoso por se apresentar como médico – realizou, de maneira irresponsável, afirmações distorcidas sobre a detecção e diagnóstico do câncer de mama. Confira o que foi dito e qual a informação correta:

Erro 1: a mamografia causa câncer de mama devido à radiação

A radiação da mamografia é 2,5 vezes maior do que uma radiografia de tórax. A dose total é insignificante em termos de risco para o câncer. Estudos feitos em mulheres que sobreviveram a acidentes ou explosões radioativas mostram que seria necessário que uma pessoa fizesse cerca de 5 mil mamografias para ter um pequeno aumento de câncer de mama.

Erro 2: o intervalo ideal para a mamografia é 3 anos

A maioria das sociedades médicas e entidades governamentais dos países desenvolvidos preconizam que todas as mulheres entre 50 e 75 anos façam mamografia a cada 1 ou 2 anos. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que as mulheres brasileiras façam mamografia anual a partir dos 40 anos. Nesse sentido, deve-se enfatizar que a mamografia é o único exame que, quando realizado de maneira sistemática a partir dos 40 anos em mulheres assintomáticas, comprovadamente leva a uma redução da mortalidade pelo câncer de mama. Isso foi demonstrado através de grandes estudos realizados em mais de 500 mil mulheres. Neste, foi observada uma redução da mortalidade. Este número variou entre 10% a 35% no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento em relação às que não eram submetidas.

Erro 3: a maioria dos tumores mamários é detectada pela palpação

Conforme explicado, os tumores detectados pela mamografia são menores que aqueles descobertos pela palpação. Na grande maioria das vezes, tumores menores têm mais chances de cura, além de necessitar cirurgias menores e menos quantidade de quimioterapia. O autoexame detecta o tumor quando o mesmo já está em uma fase adiantada, o que diminui a possibilidade de cura.

Erro 4: as biópsias causam câncer através da migração de células tumorais.

Este tipo de citação foge à compreensão de qualquer médico com um mínimo de conhecimento na área oncológica. A afirmação de que a biópsia pode causar câncer é despropositada e não se confirma em nenhum estudo. É um exame que precisa ser realizado para que se possa confirmar o diagnóstico de tumor e então realizar o tratamento.

 

O câncer de mama é o tumor mais frequentes entre as mulheres e a principal causa de morte por tumor no Brasil e no mundo. Entretanto, no Brasil, diferentemente dos países desenvolvidos, a mortalidade pelo câncer de mama continua aumentando. A causa do contínuo aumento da mortalidade é a falta de programas de rastreamento adequados ou a baixa adesão da população aos programas oferecidos. Fato que acontece por consequência da falta de informação ou então acesso a informações distorcidas, como estas recentemente veiculadas. Também se deve a falta de acesso em tempo hábil aos tratamentos recomendados.

 

REFERÊNCIAS:

Viver Clínica Médica. Mitos e verdades sobre o câncer de mama. Outubro, 2018.
Sociedade Brasileira de Mastologia. Por que autoexame da mama mostrado no clipe de Anitta não é mais indicado. Abril, 2019.
Portal Drauzio Varella. Câncer de mama.
Câncer de mama Brasil. Alerta em defesa da mamografia. Março, 2019.
Sociedade Brasileira de Mastologia. Nota de Esclarecimento – Vídeos com informações falsas sobre a mamografia. Abril, 2019.

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